quinta-feira, 11 de junho de 2015

SE QUISER TER PAZ, NÃO COMPRE ORGÂNICOS.

É meu lema e aqui vai meu relato a respeito.

Começa assim:

1) Você faz sua feira normal e vê lá a barraquinha de orgânicos e nem se aproxima, mas nem é por nada não, apenas não dá bola.

2) Depois de várias idas à feira, você continua vendo mas agora já começa a formar opinião, e pensa sem dar muita importância que nem vai chegar perto, pq é coisa de gente fresca, natureba, morde-caule-de-árvore, vê-gnomos etc.

3) Um dia você compra qq coisinha dos tais orgânicos lá e vai no google pesquisar o que tem de tão encantado nisso.

4) Você descobre um mundo paralelo bem ativo chamado agrotóxico, monsanto, agricultura familiar, etc etc etc etc. É tipo um starwars de uma outra dimensão (dos alfaces e tomates e pimentões, o darth vader exala glifosato).


5) AÍ você decide: a partir de agora, tomate, pimentão e abobrinha SÓ ORGANICOS. O resto... feira normal. (pelo menos você cortou os piores, né?)

6) E aí vai você pra feira ... e nem olha mais estes legumes "master tóxicos" e compra eles sempre na área de orgânicos.. Se não tiver nos orgânicos, compra os não-orgânicos durante as próximas idas, mas em pouco tempo tudo muda. Se não tem orgânico, não compra mais. Você até tenta. Mas existe um campo invisível que não te permite pegar mais estes alimentos. Você acha que tá beirando a nóia só porque não consegue comprar mais determinados alimentos se não forem orgânicos (como dizem por aí, ignorância traz paz. E você perde a paz quando tá numa situação desta) 

7) Você, sem perceber, começa a ir primeiro nos orgânicos, faz a feira lá, e depois completa com os outros legumes. Mas em casa faz o maior trabalho de bicarbonato-água e descascar bem grosso alguns legumes e frutas.
71.) Seu estoque de bicarbonato e vinagre começa a aumentar paulatinamente. Você nem percebe.
8) E nesse meio tempo, taca-le o pau no Google pra pesquisar mais sobre o mundo paralelo.
8.1) Você cultiva lombrigas, mas não consegue mais comprar molho de tomate pronto pra fazer macarronada quando não acha tomate na feira, orgânico ou não. Vai no alho e óleo mesmo. (o campo invisível não deixa. você tenta pegar, mas não consegue. E o problema nem é o agrotóxico, são os pelos ratos mesmo)
8.2) Todo mundo dirá que você é neurótico(a). Mas você não é todo mundo.
8.2.1) Talvez você tenha que lembrar sua própria mãe que você não é todo mundo e que ela te ensinou isso.
.
9) Ovo caipira, de repente, tem até ninho de ouro na sua geladeira de tão bem vindo.  (se você pudesse, teria um galinheiro em casa, mas não conta isso pra ninguém. Voltar para o ponto 8.2)

10) E sem você perceber (sério, sem perceber MESMO) um dia você vai acordar e ver que você já diminuiu absurdamente a compra de industrializados, quando vai no supermercado fica lendo rótulo de embalagem,  diminui os produtos de limpeza da sua casa pra só um ou dois que dá conta de tudo (e agora você usa luva pra enfiar a mão neles!) e qualquer pessoa desavisada que abrir sua geladeira vai te achar a maior pobretona, porque seus armários estão aspas vazios fecha aspas e sua geladeira é puro mato e ovos.

Viva, viva, viva a verdadeira sociedade alternativa <3 nbsp="" o:p="">

Sites que acabam com seu mundo cor-de-rosa e que tiram a sua paz:



Tem mais um monte, mas estes são os que eu mais gosto. Mas se quiser ter paz de espírito pra fazer feira, não recomendo visitar estes sites.


Ah, sim... em caso "aaah quanta neura", lá vai:


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Meme & o Bolo de Rolo

Eu vou ser curta e grossa neste post porque é 'aumilhação' demais pra mim, mas algo me diz que expôr isso aos diletos companheiros vai minimizar a dor do meu fracasso.

  
Domingo eu acordei e disse: VOU FAZER BOLO DE ROLO SÓ PRA ESNOBAR NA CARA DOS AMIGOS QUE EU MORO NO NORDESTE E SEI FAZER BOLO DE ROLO. VOU CHEGAR EM CAMPINAS ABAFANDO NO FINAL DO ANO, FAZENDO BOLO DE ROLO PRA TODO MUNDO E SENDO MUITO ELOGIADA PELOS MEUS TALENTOS CULINÁRIOS. TODOS HÃO DE ENGOLIR OS BICOS TORCIDOS QUE FIZERAM QD SOUBERAM QUE EU IA CASAR ("A ANA? AQUELA ALI NÃO SABE NEM FRITAR OVO"


Certo, lá vai.

A receita:






Expectativa:


Realidade:



Fim.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O ninho de Valdemar



Valdemar, the cat, deita na cama e diz: "vem, querida." E eu: “toma tento, Valdemar”, e ele, então fica lá se espreguiçando e eu dizendo: “você é muito mala, fica aí achando que sou da sua espécie, esta que enterra seus próprios dejetos e come a placenta depois do parto, seu babuíno de bunda branca”. E ele estica a pata, estica a outra, boceja, vira de barriga para cima, suja minha cama com seus pelos brancos, ao que eu digo: “sai daí, seu mala, eu preciso puxar esta colcha pra esticar o lençol!” e eu puxo a colcha, Valdemar se assusta, “vai descer da cama, por certo”, penso eu, mas não, ele pula para o outro lado da cama e me olha: “arrume logo o nosso ninho, minha querida”, quanto atrevimento! “Mauricio, Mauricio, esse gato tá muito folgado!” , Maurício nada responde, ele sabe exatamente qual a arma que precisa usar para afastar abruptamente o bichano de mim , e espera o momento certo. “Valdemar, tu é muito folgado, seu mala – chega pra lá” – dou-lhe um safanão, ele sai de perto dos meus travesseiros, mas não desce da cama, continua me olhando e dizendo: “vamos, anda logo com estas coisas”, eu estico o lençol, coloco a colcha em cima da cômoda, desisto – ele não desce da cama. Se pudesse ler os pensamentos dele, ele diria que eu é que não desço da cama dele. Deito, desisto, pego meu livro e sinto as quatro patinhas espreguiçadas encostas em mim. Valdemar caiu em sono profundo, tão feliz que estava. Tão lindo, este gatinho, e depois dizem que gatos não têm sentimentos.... estava assim, num momento de puro afeto pelo babuíno da bunda branca quando Maurício, o Mau, levantou, e abriu o saco de ração no banheirinho.


Valdemar nem se deu ao trabalho de sequer me olhar ou se despedir. Unhou-me, desceu correndo da cama miando esfomeado, como se fosse maltratado nesta casa, e se atirou na ração, voltando a ser o selvagem que sempre foi.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Eu ia colocar no facebook, mas achei melhor colocar aqui...

porque no Fb vai que alguém se ofende gratuitamente, e de ofendidos o mundo tá é cheio, e aqui só entra quem quer ler, né? Se é que existe alguém que quer ler este blog (suspiros - forever alone)... bora lá, é um desabafo altamente teenager, que não tem nada a ver com meus 30 anos bem vividos e estudados. mas a ideia é esta:

Entrei no meu FB estes dias e tomei um susto: tinha nada menos que mais de 30 solicitações de amizades, o que é muito raro no meu caso, porque eu não sou popular e nem tenho cargo de liderança em algum lugar que dê toda esta visibilidade e a intrínseca falta de liberdade de ser conhecida e, consequentemente, ter a quase que obrigação de adicionar todo mundo para não passar por esnobe.

Olhei aqueles nomes, nunca vi ninguém mais gordo, e aí resolvi escrever este textinho (mais um bobo de fb, não tenho dúvidas) de algo que tem me incomodado ultimamente sobre pedidos de amizades. Eu tenho a sensação de que brasileiro NÃO sabe usar o FB, e vai adicionando todo mundo aí só porque o vizinho da prima de terceiro grau da cunhada que estava fazendo tratamento de estética no bairro onde a Sandy morou por anos -e tem uma pessoa em comum na lista.

Eu adiciono, sem frescura e sem cerimônias e feliz da vida, amigos pessoais e gente com quem eu tenha contato e o mínimo de relacionamento social. Este texto é direcionado àquelas pessoas que vão adicionando todo mundo desenfreadamente e que eu nunca vi na vida.

- Eu não vou adicionar você só porque você pediu.

- Eu não vou adicionar você porque temos um ou vários amigos em comum. A “teoria dos seis graus de separação” não me comove. Se você não sabe o que é isso, google it.

- Quando a linha do relacionamento social é menos que o mínimo – um alô de longe, nunca conversamos, não nos conhecemos pelo nome e temos que puxar na memória a fonte da familiaridade da foto - a educação pede uma apresentação de quem está pedindo autorização. Eu faço isso. Dá pra contar nos dedos quem fez isso. Infelizmente, a maioria não faz.

-  Se nós frequentamos o mesmo lugar e você nunca me cumprimentou e mandou pedido de amizade pro meu FB,  pode ter certeza: foi pro limbo. E se você me perguntar um dia pessoalmente porque eu fiz isso, eu não vou me lembrar deste fato  - mas não por descaso à sua pessoa, mas porque eu não guardo rancores e provavelmente terei esquecido. Não tenho um coração peludo.

- Não é porque nos vimos uma vez na vida (veja só: unicamente contato visual, e nunca, jamais, trocamos um BOM DIA) que vou adicionar você – a não ser que você se apresente. Parece redundante com o ponto acima, mas tem uma tênue diferença entre não cumprimentar e estar no mesmo espaço físico (volte duas casas)

- Se você é primo de milésimo grau: 1ª eu não ando com minha árvore genealógica para saber. (Volte três casas). 2ª Não tenho bola de cristal 3ª Se não falar quem é, eu não autorizo. Afinal, o parentesco é distante, e muito provavelmente eu não vou passar o Natal com você para ter que passar pelo constrangimento de virar as costas e você dizer pras tias "ai, essa loira má não me adicionou no FB".

Sorry o desabafo. Mas é que deu nos nervos um monte de gente que eu não conheço pedindo autorização no meu FB com aquelas fotos 3x4 irreconhecíveis, me olhando com lasers e condenando tipo “você está me deletando e eu estou vendo”. Aqui fica a minha opinião a seu respeito quando isso acontece:





Você ser Scarlett O'Hara, mim ser Red Butler.

À propósito.... vou deixar este texto público.


sábado, 27 de julho de 2013

outro da série "Aconteceu"

(original aqui)

Esta semana, no balcão de frios no supermercado, sendo atendida por uma mocinha do lado da incrível máquina de fatiar frios.

- Moça, vocês fatiam frios na hora?
- Sim.
- Eu quero por favor 300g de peito de peru defumado.
- Esse não fatiamos, já tem aí no balcão embalado.
- Hm. Tá. Então 100g de presunto.
- Balcão.
- .... 200g de queijo?
- Balcão.
- (Tá ficando difícil) então 150g de salame.
- Balcão.
- Meio quilo de mortadela????
- Balcão.
- Nem a defumada?
- B-a-l-c-ã-o
- Lombinho????
- BALCÃO.
- MAS QUE RAIO DE FRIOS VOCÊS FATIAM??? SEU CORAÇÃO GELADO?????????????????????

E assim, finalmente, voltei para a casa com meu lanche da tarde. na primeira dentada o lanche fez MÚÚÚ. 

Na segunda fez COCÓ. 

Era um coração híbrido.

Aconteceu

(original aqui )



Eu lá no meio de americanos, ia atravessar uma sala, e tinha uma senhorinha por perto.

- (eu) Oi, com licença, sabe se esta porta está aberta?
- (senhora - surpresa) ah, você então está aprendendo português....
- Han? (eu não entendi)
- É, você está aprendendo português aqui no Brasil né...
- Ahhh (:D) Não, não, querida, sou brasileira :-)))))))
- Aaaaaah tá (decepção da senhora estampada na cara sem pudor), achei que você fosse americana....
- Hmmm (me achando) sério? 
- É....
- Hmmmm (me achando mais - falsa humildade mode on) - deve ser por causa dos meus cabelos cheio das madeixas loiras que eu refaço religiosamente todo final de ano e que, por certo, me confundem com as madeixas loiras naturais das outras que estão deste grupo.
- (senhora olhando pro meu cabelo)... não....
- Hm. (começando a calçar os chinelinhos da humildade). Deve ser então porque a senhora olhou bem pra minha pele e pensou: "essa aí é branquicela, mas tá douradinha assim por causa do sol do Ceará"?
-... não.
- hmm (pensa, ana, pensa!): deve ser porque a senhora olhou no branco dos meus olhos e identificou que atrás deste castanho profundo que pigmenta minha íris existem raízes nórdicas, já que meus dois avôs tinham olhos claros como o dos americanos, sendo assim, a senhora pensou: esta aí é americana, posso ver pelo seu olhar.
- Não.
- Hm. Então foi a minha altura? (última tentativa de resgate de dignidade)
- Não.
- Ouviu eu falando em inglês e achou bom?
- Não.
- Minha unha mal feita? (americanas não prezam lá pelas unhas igual as brasileiras)
- Não.
- Cabelo emaranhado no melhor estilo "tô nem aí para o que você pensa, afinal sou gringa e tô de férias"?
- Não.
(... silêncio)
- Diga, minha senhora, então DE ONDE a senhora estava achando que eu era americana????
- Seu 'erre'.
- Meu 'erre'?
- É. Um erre todo puxado, principalmente quando a senhora fala "porta". Igualzinho o deles.
- Ah.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Valdemar, the cat



Este é Valdemar, e esta é a parede, sua... amante.






Hospedado na casa dos Oliveira desde abril de 2012, Valdemar é um caso raro de um felino doméstico que se mima... sozinho. 

Sim. 

Este gato aparentemente inocente, com doces olhos azuis, patinhas e boquinhas levemente rosada, carrega dentro de si uma natureza decaída e egoísta, que se manifesta continuamente em forma de miados e gemidos exigindo de seus hospedeiros que seus desejos por afeto sejam saciados na hora que bem entender e independente se os donos de seu hotel estão comendo, tomando banho, lavando louça. Egoísta, ele não vê nada a seu redor a não ser seu próprio desejo.

Água limpa, pote de ração sempre cheio, banheiro-dormitório incontestavelmente impecável, e Valdemar nunca está satisfeito. Contemplando o seu próprio luxo, mas com aquela insatisfação característica dos incompletos, Valdemar lança-se a peregrinar pela casa com miados roucos, tremendo seu corpinho numa dança que, para ele (grifa-se), deve ser muito sensual, implorando migalhas de atenções de seus hospedeiros. Não tendo seus desejos saciados, assim como o Crusoé de Michael Tournier se lançava apaixonadamente na terra úmida em busca de amor, Valdemar se lança ferozmente contra a parede, tentando conseguir dela o que lhe é negado pelos seus anfitriões: carinho.

Valdemar anseia por carinho, ele deseja carinho, ele quer carinho, a única coisa que o faz viver é carinho.

Uma vez que a abstinência abate sua alma, o felino sacia sua voracidade esfregando seus pelos brancos na parede que, como toda mulher que deseja um compromisso sério com seu pretendente, responde de maneira fria.